1 Samuel 17

Capítulo 17: A vitória de Davi sobre Golias
1.Os filisteus não desistiam de sua luta contra Israel. Saul era o rei ainda, pois não havia consumado a destituição do seu reino. Mesmo em pecado de rebeldia contra Deus, houve um intervalo longo até que Davi se tornasse rei. Portanto, a luta seria travada contra os filisteus sob o comando do rei Saul. A figura emblemática dos filisteus era Golias, um gigante de quase três metros de altura, assustador. A armadura de Golias pesava uns sessenta quilos. A ponta da lança de Golias pesava uns sete quilos. A função de Golias era provocar. Dificilmente alguém pensaria que era apenas uma bravata, mas acreditava-se pelo o que se podia ver que ele era um homem forte e poderoso. A oferta do desafio era tentadora, pois tudo seria decidido apenas com uma luta entre Golias e um escolhido de Israel. Saul e os soldados não viram uma oportunidade, mas estavam apavorados com a
ameaça. Três filhos de Jessé eram soldados de Saul. Davi era um interessado pelo combate, mas jovem demais para a batalha e cuidador das ovelhas do pai. As provocações de Golias eram repetidas por quarenta dias. Os incrédulos insultam os crentes porque não compreendem os feitos de Deus (At 2.13-15, 2 Rs 2.23-25, At 17.32, 2 Pe 3.3-4, 1 Pe 4.14-16) (v.1-17).

2.Davi podia chegar perto do acampamento, mas apenas para suprir os irmãos de alimentos e fazer um agrado ao comandante do exército dando algum alimento também. Jessé queria incentivar os homens de guerra da maneira que pudesse. Davi chegou no acampamento no exato momento em que estavam se alinhando para ir ao encontro dos filisteus. Uma vez que não tinha um desafiante para Golias, a batalha seguiria no corpo a corpo com centenas e milhares de soldados de ambos os exércitos. Davi chegou também no momento em que Golias fez o costumeiro desafio. O incentivo para o lutador israelitas era enorme, caso vencesse. Riquezas, casamento com a filha do rei e isenção perpétua de imposto. Para Davi era uma questão muito simples. Um pagão que desafiava não apenas o povo, mas ao Deus vivo. Ao que parece, Davi despertava inveja dos irmãos, pois Eliabe, seu irmão, ficou bravo com ele, achando que o lugar dele era no pasto com as ovelhas e não no campo de batalha. A inveja era facilmente identificada, pois Samuel ungiu Davi no meio dos irmãos (veja 1 Sm 16.13). Davi se defendeu como pode diante do irmão. Logo Saul ficou sabendo do curioso Davi. Aliás, sendo que ele foi escolhido pelo rei para ser seu armeiro, Davi não estava fora de lugar naquele acampamento. Davi se voluntariou a ser o desafiante de Golias (v.18-31).

3.Saul mostrou a loucura que era a pretensão de Davi, pois era muito jovem e sem experiência. No entanto, Davi quis mostrar o seu currículo para o rei, o que soou mais como piada, pois proteger ovelhas era muito diferente do que entrar naquele duelo. A história de Davi soava mais como alguém querendo contar vantagem, pois não havia testemunhas dos grandes feitos que Davi estava falando de si próprio. Saul deu uma chance para Davi, mas talvez pensasse que fosse mais uma missão suicida. Saul preparou Davi com a armadura real e capacete. Davi dispensou esses aparatos, pois deixava-o preso por falta de costume. O seu único armamento era um bastão, cinco pedras e uma funda (v.32-40).

4.Golias não acreditava no que estava vendo, um jovenzinho delicado e não um guerreiro. Golias ficou até ofendido, pois queria um desafio que chegasse perto à sua estatura e coragem. Como um idólatra rogou maldição dos deuses sobre Davi. Como era a melhor escolha dos israelitas, Golias zombou e ameaçou matar Davi e jogar seu corpo para ser comido pelas aves e animais do campo. Davi confiava no Senhor, a sua única arma contra Golias. Davi nem mesmo considera a funda como a arma infalível. Assim deveríamos nós agirmos na vida cristã. Não devemos confiar em nossos recursos, mas somente no Senhor. Davi não fez ameaças humanas, mas profetizou a derrota de Golias e dos filisteus diante do exército de Deus. Davi não precisou das cinco pedras. Apenas uma foi suficiente para derrubar mortalmente Golias. Com a própria espada de Golias, Davi o decapitou. Os filisteus não esperaram para se entregarem como servos e nem mesmo para combaterem Israel. Os soldados filisteus fugiram. Os israelitas perseguiram os filisteus e os mataram. Aproveitaram também dos despojos (v.41-53).

5.O troféu de Davi diante do povo era a cabeça de Golias. As armas de Golias ficaram para Davi. Saul nem mesmo conhecia Davi, pois perguntou a Abner quem era o rapaz. Abner não sabia, pois se soubesse, certamente seria considerado o mais valente do seu exército. Saul quis saber com precisão quem era aquele pequeno herói.

“Alguns críticos consideram esses últimos quatros versículos como uma interpolação, bem como o parágrafo entre 1 Sm 17.12-31. A opinião deles é fundamentada na aparente discrepância da narrativa... Keil e outros comentaristas não veem razão para duvidar da genuinidade da narrativa. As seguintes soluções da aparente contradição nessa questão de Saul, para a declaração de 1 Sm 16.21-23 são essas: ‘É necessário apenas admitir que a ausência de Davi foi longa (não há data exata); que Saul raramente vira Davi, exceto nos momentos de loucura; que Abner ficara ausente da coorte quando Davi estava lá; e que a aparência pessoal de Davi mudara nos últimos tempos... (Translator of Lange´s Commentary).[1]

Os insultos em várias frentes (1 Sm 17)
1.O povo de Deus sendo insultado pelos incrédulos (v.1-11)
2.Os irmãos mais velhos insultando o mais novo (v.12-29)
3.O valente não aceitando os insultos (v.30-40)
4.O inimigo se sentindo insultado (v.41-48)
5.A vitória de Deus contra todo o insulto (v.49-58)



[1] The Preacher's Complete Homiletical Commentary – 1 Sm 17.55 - Edited by the Rev. Joseph S. Exell, M.A. - Published in 1892; public domain (extraído de e-sword version 10.3.0 – 2014)

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